quarta-feira, 30 de junho de 2021

A falácia de que Haddad foi derrotado pelos votos nulos e brancos

 Até hoje alguns eleitores de Haddad repetem a falácia de que foram os votos nulos e brancos que o levaram à derrota. Este texto destina-se aos que, de boa fé, até hoje acreditaram nisso.

Mas as pessoas que tenham se detido sobre os números da votação no 2º turno das eleições presidenciais de 2018 sabem que isso não é verdade. Abaixo, o quadro com as apurações oficiais divulgadas pelo TSE:


Do quadro, vê-se que a diferença da votação de Bolsonaro e de Haddad foi de 10.756.941 (57.797.847 - 47.040.906) votos.

Do quadro, também, observa-se que o total de votos nulos e brancos foi de 11.094.698 votos.

Pessoalmente, desconheço qualquer pesquisa posterior à eleição que pudesse identificar, dentre os que votaram nulo ou branco, qual o percentual desses eleitores que consideravam Haddad o candidato “menos pior”, e que, portanto, poderiam ter votado nele. De resto desenhar uma pesquisa deste tipo é, no mínimo, de quase impossível formatação, por ser quase impossível identificar quem votou nulo ou branco com o voto secreto.

Não se podendo obter esse percentual, a melhor hipótese é a de que desses eleitores 50% julgavam Haddad o menos pior e que 50% julgavam a Bolsonaro o menos pior. Portanto, Haddad, se todos os que o consideravam o menos pior votassem nele, ele receberia, além dos votos que recebeu, mais 50% de 11.094.698, ou seja, 5.547.349. Estes votos, evidentemente, não seriam suficientes para lhe dar a vitória!

Mas, talvez, essa análise não seja suficiente para convencer aos que até agora acreditaram nessa falácia. Consideremos, então, que 90% dos votos nulos e brancos tivessem sido dados a Haddad; ou seja, 90% de 11.094.698, o que resultaria em 9.985.228 votos. Mas ele precisaria de pelo menos mais 10.756.941 para pelo menos empatar com Bolsonaro!

Não me é prazeroso destruir ilusões. Mas defendo que somente derrotaremos o obscurantismo bolsonarista com os fatos e sem obscurantismos ou negacionismos de qualquer outra natureza.

Sei que apesar dessa prova muitos ainda continuarão a repetir essa falácia. Mas aqui o caso já será outro, os de construtores conscientes de narrativas falaciosas, que chamamos de FakeNews. A estes eu combato e convido todos a combatê-los!

terça-feira, 29 de junho de 2021

Você votaria em Lula? Não e Sim, mais não do que sim!

Precisamos nos dar, em 2022, a oportunidade de uma renovação histórica na política.

Devemos trabalhar com a premissa, e a esperança, de que caminharemos para eleições democráticas como as tivemos desde a promulgação da Constituição de 1988. E de que haverá a continuidade de um dos fundamentos garantidores da idoneidade desse processo, que são as urnas eletrônicas, com apuração eletrônica, sem voto impresso.

Mas não podemos mais ficar adiando a construção de um Brasil mais justo, mais próspero e mais democrático. Nos últimos anos temos até andado para trás. Precisamos votar para superar e romper com a nefasta polarização bolsonarismo x lulopetismo, pois isso corresponde a uma necessidade histórica.

A bandeira da ética, da luta contra a corrupção e para acabar com a impunidade, por seu caráter democrático, voltará a ter em 2022 a mesma importância que teve em 2018. E se o capitão cloroquina for afastado o será por esta mesma razão!

Lula, e o PT, já a tinha perdido em 2018. Bolsonaro a perdeu para 2022.


Por isso, permitam-me passar para a primeira pessoa, para declarar que, em 2022, Lula é a minha última opção para nos livrarmos de Bolsonaro.

Os adeptos de Lula usam as pesquisas eleitorais de hoje para tentar provar não existir outra alternativa a Bolsonaro; mas isso não me demoverá, embora, devo reconhecê-lo, elas devam ser levadas a sério e, também, que elas impressionaram a muitos temerosos de que o destino do país seja consequência de manobras eleitorais espertas dos poderosos. Mas não devemos fazer negócio eleitoral com a história, até porque ela gosta de nos surpreender.

Muita água ainda vai rolar até 2022, pois o quadro político está mudando rapidamente. Não podemos saber, ainda, neste momento, se Bolsonaro chegará ao 2º turno, ou, mesmo, se será afastado antes e não disputará a eleição. E, mesmo, precisamos ficar atentos de que os polos, como tática, desdenham da possibilidade de que um candidato da 3ª Via possa surgir forte e competitivo a qualquer instante!

Tudo devemos fazer, nos limites éticos impostos aos cidadãos, para levar um candidato do campo democrático ao 2º turno. E saber que, se ele lá estiver, provavelmente será o próximo presidente da república, não importa quem enfrente, seja ele Lula ou Bolsonaro.

Mas se me perguntarem, você votaria em Lula? Respondo com toda a clareza: no primeiro turno não votarei em Lula.

E, no 2º turno, você votaria? Respondo que esta hipótese somente será examinada se Lula lá estiver com Bolsonaro, o que já consideraria uma tragédia histórica. 

Sendo mais preciso, somente se o meu voto e o de tantos outros que pensem como eu, vier a ser imprescindível para a derrota de Bolsonaro. Dou apenas uma razão: Lula jamais atentou contra a democracia, enquanto o sonho azul do capitão é governar ditatorialmente.

E se me perguntarem se eu poderia, nestas circunstâncias - de Lula e Bolsonaro no 2º turno -, ainda assim não votar em Lula? Respondo que eu gostaria de não votar, e que espero não precisar votar.

E não votarei em duas circunstâncias: 1. Se Lula não precisar do meu voto para vencer; 2. Se ele não precisar do meu voto para perder. Para que fique mais claro, se eu estiver convencido que o meu voto, junto com o de todos os que provavelmente votariam nulo ou branco, não modificarão a sua condição de ganhador ou de perdedor (naturalmente, observadas as previsões apresentadas pelos institutos de pesquisa às vésperas da votação), eu, repito, não votarei em Lula. Este foi o caso da eleição de 2018 (*). Nem Bolsonaro precisou dos votos nulos ou brancos para ganhar, nem Haddad precisou deles para perder. Observo que não faço campanha por voto nulo ou branco, mas, nestas circunstâncias, e somente nestas, esse voto me deixaria mais em paz com a minha própria consciência.

Penso em eleições presidenciais como momentos históricos definidores dos rumos do país, afetando a vida de todos os brasileiros. Não podemos, nem devemos, nos envolver em eleições como se apostássemos no mais provável vencedor! Assim age o “Centrão”, que neste momento já discute se abandona ou não o capitão. Mas esse tipo de jogo é prejudicial ao país! Quem o praticou foi o lulopetismo enquanto foi governo, e agora o bolsonarismo; e isto fica ainda mais nítido neste momento em que o capitão já está afundando.

E pior, se praticarmos esse jogo, seremos, mais uma vez, derrotados antes de iniciarmos o jogo que importa, o histórico, que mais uma vez será jogado em 2022.


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(*) 
Até hoje alguns eleitores de Haddad repetem a falácia de que foram os votos nulos e brancos que o levaram à derrota. Este texto destina-se aos que, de boa fé, até hoje acreditaram nisso.

Mas as pessoas que tenham se detido sobre os números da votação no 2º turno das eleições presidenciais de 2018 sabem que isso não é verdade. Abaixo, o quadro com as apurações oficiais divulgadas pelo TSE:


Do quadro, vê-se que a diferença da votação de Bolsonaro e de Haddad foi de 10.756.941 (57.797.847 - 47.040.906) votos.

Do quadro, também, observa-se que o total de votos nulos e brancos foi de 11.094.698 votos.

Pessoalmente, desconheço qualquer pesquisa posterior à eleição que pudesse identificar, dentre os que votaram nulo ou branco, qual o percentual desses eleitores que consideravam Haddad o candidato “menos pior”, e que, portanto, poderiam ter votado nele. De resto desenhar uma pesquisa deste tipo é, no mínimo, de quase impossível formatação, por ser quase impossível identificar quem votou nulo ou branco com o voto secreto.

Não se podendo obter esse percentual, a melhor hipótese é a de que desses eleitores 50% julgavam Haddad o menos pior e que 50% julgavam a Bolsonaro o menos pior. Portanto, Haddad, se todos os que o consideravam o menos pior votassem nele, ele receberia, além dos votos que recebeu, mais 50% de 11.094.698, ou seja, 5.547.349. Estes votos, evidentemente, não seriam suficientes para lhe dar a vitória!

Mas, talvez, essa análise não seja suficiente para convencer aos que até agora acreditaram nessa falácia. Consideremos, então, que 90% dos votos nulos e brancos tivessem sido dados a Haddad; ou seja, 90% de 11.094.698, o que resultaria em 9.985.228 votos. Mas ele precisaria de pelo menos mais 10.756.941 para pelo menos empatar com Bolsonaro!

Não me é prazeroso destruir ilusões. Mas defendo que somente derrotaremos o obscurantismo bolsonarista com os fatos e sem obscurantismo ou negacionismo de qualquer natureza.

Sei que apesar dessa prova muitos ainda continuarão a repetir essa falácia. Mas aqui o caso já será outro, os de construtores conscientes de narrativas falaciosas, que chamamos de FakeNews. A estes eu combato e convido todos a combatê-los!

segunda-feira, 28 de junho de 2021

O caráter democrático da luta contra a corrupção

 Abro aqui uma discussão sobre o caráter democrático da luta contra a corrupção. Serei sucinto na colocação da questão.


Tudo bem, a anulação das condenações de Lula pelo STF lhe deram condições legais de disputar a presidência.

Mas isso não o inocentou, pois os seus processos, embora tenham grande probabilidade de prescrição, foram remetidos para a Justiça Federal do Distrito Federal.

Os fatos que envolvem o capitão cloroquina com a aquisição irregular e superfaturada da Covaxin, fazem prever a alta probabilidade de surgirem graves casos de corrupção. Este é o preço da sua aliança estratégica com o Centrão para legislar no Congresso e para governar. Ainda é cedo para saber se isso o levará ao afastamento, mas o seu desgaste se aprofundará na sociedade, e revigorará o movimento de oposição nas ruas.

A bandeira da ética, da luta contra a corrupção e para acabar com a impunidade, por seu caráter democrático, voltará a ter em 2022 a mesma importância que teve em 2018. E se o capitão cloroquina for afastado o será por esta mesma razão!

Lula, e o PT, já a tinha perdido em 2018. Bolsonaro a perdeu para 2022.

Em que mãos ficará essa bandeira? Continuaremos a subestima-la sem compreender o seu caráter democrático, ou seja de que ela faz parte, intrinsecamente, do valor estratégico da democracia? E de que não é possível construir uma sociedade mais democrática, justa e próspera se continuarmos lenientes com a corrupção?

Pois bem esta bandeira não é lulopetista e não é bolsonarista. Ela deve ser de todos os democratas, de braços abertos para receber uns aos outros, amplamente articulados, generosamente, sem hegemonismos, para produzir uma alternativa democrática capaz de romper e quebrar com essa nefasta polarização.

Isso corresponde a uma necessidade histórica, um projeto de todos nós, pelo bem dos brasileiros, um projeto de país e de nação.

Concluo este texto na 1ª pessoa, como comecei. Reafirmo minha opinião de que Lula não tem as credenciais necessárias para liderar esse projeto.

Não devemos pensar nas pesquisas eleitorais atuais, sem subestima-las, como determinantes do futuro.

Se não estaremos tratando as eleições de 2022 apenas como um jogo, em que qualquer candidato serve, desde que, pelas pesquisas de hoje (*) tenha maior chance de derrotar o capitão, e pior, seremos, mais uma vez, derrotados antes de iniciarmos o jogo que importa, o histórico, que mais uma vez será jogado em 2022.

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(*) Me permitam fazer um comentário de caráter pessoal, mas que é esclarecedor de minha metodologia.

Não sou filiado a qualquer partido, mas não sou “apartidário”, no sentido de que não me proponho a fazer uma análise “isenta”, equidistante das diversas opções políticas, como se eu fosse um mero consultor cujo único objetivo fosse ser prever os acontecimentos futuros, ou, em termos práticos, como se fosse um instituto de pesquisa eleitoral, cujo trabalho é prever quem vai ganhar as próximas eleições presidenciais.

Se essa fosse a minha metodologia, eu abriria as pesquisas de popularidade de hoje, acerca dos possíveis candidatos, veria qual é o mais forte oponente ao capitão cloroquina e passaria, de imediato, a fazer campanha por ele (mesmo que eu não gostasse dele). Muitos estão cometendo este erro neste momento.

E quero deixar muito claro que levo muito em conta as pesquisas eleitorais sérias feitas às vésperas das eleições!

Mas não é essa a minha perspectiva. Penso em eleições presidenciais como momentos históricos definidores dos rumos do país, afetando a vida de todos os brasileiros.

Considero estarem cometendo erro repetitivo todos o críticos ao lulopetismo que, recentemente, como que se apressaram, prematuramente, a declarar apoio à candidatura de Lula.

Este foi o erro de FHC.

Claro, muitos se apressarão em dizer que “ele não quis dizer isso”, que ele, do alto de sua visão, qualidades e experiência está vendo coisas que nós, os simples mortais, não estamos vendo. Que seja, mas acho que estão errados com esse “seguidismo”.

E óbvio, acho que FHC errou; pois - de forma objetiva - fortaleceu uma candidatura que reproduz a nefasta polarização política que presenciamos em 2018.

Tudo se apresentou como se quem tivesse que fazer autocrítica de suas posições e erros passados não fosse Lula, mas FHC. Tudo se passou como se o trágico erro judicial do STF tivesse sido suficiente para inocentar Lula! Ora, isso não está correto. Não devemos nos calar quanto a isso!

Pois bem, neste momento o resultado das eleições de 2022 ainda não está dado! Até lá os democratas não devem se satisfazer nem com muita nem com pouca porcaria!

Devem se colocar como construtores do futuro!

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Os desatinos de Bolsonaro mostram, mais uma vez, o caráter democrático da luta contra a corrupção

Ainda não se sabe se os desatinos do capitão cloroquina, em particular, a corrupção, determinarão o fim do seu governo. Mas é possível, pois as evidências que se acumulam poderão dar forças ao campo democrático - formado pela maioria dos brasileiros, civis ou militares - para reagir, em tempo, em defesa da moralidade, da ética e da democracia.

O comportamento irresponsável do presidente é compatível com isso: a forma como tem agido no enfrentamento à pandemia, que levou à aquisição e produção em massa da cloroquina como uma estratégia para alcançar a imunidade de rebanho; o agora revelado escândalo da Covaxin, de compra superfaturada, enquanto vetava vacinas já reconhecidas internacionalmente; o seu olhar complacente com o desmatamento da Amazônia, com a exportação de madeira ilegal, com a mineração ilegal em terras indígenas e com a invasão e desmatamento de áreas de preservação ambiental por grileiros e fazendeiros para colocar as patas de boi (*); finalmente, a sua aliança tácita com milícias às quais quer armar com leis lenientes, mormente as do Rio de Janeiro, permitindo que áreas urbanas sejam dominadas pelo crime organizado à margem do controle do Estado.


Não satisfeito, ele e o seu clã alimentam propostas golpistas de setores de extrema direita contra a democracia, propondo o fechamento do Congresso e do STF; atua sistematicamente, e pessoalmente, para fragilizar as instituições da república: estimula o rompimento com a hierarquia e com a disciplina nas forças armadas; atua para comprometer a autonomia do MPF, da PF e de outros órgãos de controle para que não investiguem os crimes dos seus afetos e cúmplices; e desenvolve sistemática ação subversiva nas PMs estaduais com o claro objetivo de usá-las como forças políticas armadas a serviço do seu projeto totalitário e de repressão contra as manifestações populares. E esta é uma lista muito resumida.

Embora tenha sido eleito pegando carona na luta contra a corrupção, não foi por acaso que passou a temê-la, pois compreendeu que as suas ações logo ficariam expostas. Começou com o COAF, com a PF e com o MPF, porque, além disso, conduziam investigações que atingiam o seu filho Flávio Bolsonaro. Foi, portanto, emblemático que tenha passado a usar todo o seu poder para liquidar com a Lava-Jato, pois era necessário desmontar os instrumentos institucionais de combate à corrupção que, mais adiante, e inevitavelmente, seriam obstáculo aos seus desmandos rumo à quebra da institucionalidade democrática.

Moro passou a ser indesejável, pois não compactuaria, como não pactuou, com os seus desígnios, e por isso passou a ser necessário descarta-lo.

Não agiu, entretanto, sem senso estratégico, pois, a bem da verdade, juntou-se à aliança previamente existente de todos os processados e investigados que temiam e combatiam a Lava-Jato e odiavam a Moro, formada pelos políticos dos partidos mais comprometidos com a corrupção, incluídos o PT e o PSDB, e com todos os partidos do chamado “Centrão”. Paradoxalmente, passou a lidera-la, pois, observe-se, os rabos presos formaram a aliança política e ideológica mais ampla jamais alcançada na sociedade brasileira, unindo políticos de esquerda, de centro e de direita. Com isso, abriu-se a porteira, na Câmara e no Senado, para a hegemonia do “Centrão”, pois quem poderia operar com mais desfaçatez o desmonte do aparato legal do combate à impunidade?

Naturalmente, este quadro ficaria incompleto se não se destacasse, nessa “santa aliança”, notórios ministros do STF, especializados em libertar e anular sentenças condenatórias de criminosos poderosos de colarinho branco.

Um plano que parecia perfeito, não é?

Essa aliança de rabos presos para liquidar com a Lava-Jato, entretanto, foi a única unanimidade que o capitão cloroquina conseguiu. Algo deu errado. A vida dos indivíduos, e a história, também inclui acidentes; o seu plano não deu inteiramente certo, pois ninguém, por mais poder que tenha, consegue controlar todas as variáveis que afetam a sua vida, muito menos os acontecimentos sociais e políticos.   

Houve uma consequência não intencional de suas ações: Lula, valendo-se delas, como bom surfista, e com a valiosa ajuda de Gilmar Mendes e de seus seguidores no STF, conseguiu a anulação de suas condenações e tornou-se o seu principal adversário em 2022. Todo malandro, de tão malandro, acaba dando pernada em si mesmo. O capitão subestimou o fato de que os ministros do STF indicados por FHC, Lula, Dilma e Temer também tivessem os seus próprios planos.

E aqui se abriria um novo capítulo. Ele consiste no principal paradoxo da vida política e institucional brasileira.

Os ministros do STF que, por um lado, estão fortemente comprometidos com a preservação das instituições da democracia nascidas com a Constituição de 1988, são os mesmos que, em sua maioria, com nobres excessões, estão dando suporte jurídico e legitimidade para o desmonte do aparato legal para o combate à corrupção e à impunidade que se processa no Congresso sob a liderança do “Centrão”.  Pior, a desfaçatez com que anularam as condenações de Lula e com que, em vingança, decidiram pela suspeição de Moro, são um ultraje à justiça e ao povo brasileiro.

Várias são as consequências dessas decisões tomadas por essa maioria eventual do STF: a primeira, politica, a de buscar um caminho fácil, eleitoral, para se combater o projeto autoritário de Bolsonaro, remetendo as eleições de 2022, como as de 2018, para a nefasta polarização bolsonarismo x lulopetismo; a segunda, abriram a porteira para a anulação de todas as condenações da Lava-Jato; p.ex., será devolvido aos corruptos os bilhões ($) que acordaram restituir aos cofres públicos? Com que empenho, doravante, se dedicarão os jovens servidores concursados - PFs, Procuradores Federais e Juízes Federais -, às suas missões de combater os crimes de colarinho branco dos poderosos, e o crime organizado, se o trabalho árduo e competente que realizaram por anos foi anulado pelos caprichos de uns poucos juízes nomeados politicamente?

Voltando a Bolsonaro.

Os fatos relacionados aos seus desmandos, o que já levou à ultrapassagem dos 500.000 mortos na pandemia, fizeram despencar a sua popularidade e alimentaram a sua rejeição, como demonstram as pesquisas de opinião que estão vindo à luz. Por isso, desesperado, reforçou os seus delírios de que possa dar o golpe para que não precise disputar as próximas eleições. O mais trágico de sua situação, e ele sabe disso, é que cresce, vertiginosamente, a probabilidade de não ir sequer ao 2º turno. 

Mas se, ao ajudar a liquidar com a Lava-Jato, fez retroceder conquistas civilizatórias para o combate à corrupção e à impunidade, para beneficiar, antes, a si mesmo, mas tendo beneficiado a todos os corruptos, fragiliza-se em suas bases, e faz revigorar o movimento democrático, inclusive nas ruas.

Terá que amargar ver lá não apenas os oposicionistas de sempre, mas, também, a maioria dos seus eleitores, os democratas que votaram nele para promover uma alternância do poder e impedir que o PT voltasse ao governo. E verá, com desgosto e amargor, as bandeiras brasileiras e o verde e amarelo, que pensara ter tornado de sua propriedade, e do bolsonarismo, hegemonizarem essas manifestações de oposição.

O futuro do capitão cloroquina está marcado por incertezas. As coisas não estão boas para o seu lado. As possibilidades de futuro não o favorecem. Crescerá a pressão pelo seu impeachment. Não está descartada a hipótese de que o seu afastamento seja por interdição, porque pesam sobre ele não apenas acusações morais e éticas, mas a grave suspeita de incapacitação ou doença mental. Restaria, ainda, a hipótese de sua renúncia. Talvez esta seja a sua melhor alternativa, pois isso lhe seria uma saída honrosa, e ajudaria a pacificar o pais.

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(*) Estes desmandos na área ambiental determinaram investigações na PF determinadas pelo STF, que culminaram com o “pedido de demissão” do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles no dia 23/06/21. Registre-se que dois policiais federais, cumprindo zelosamente as suas missões de investigar crimes ambientais foram, antes, demitidos de seus cargos.


sexta-feira, 18 de junho de 2021

O verde e o amarelo são as cores da resistência democrática!

Uma sugestão, mas, também, uma abertura de discussão.

Que tal fazermos do verde e amarelo as cores dominantes da resistência democrática, da manifestação do próximo dia 19/06/21 e das que se seguirão (*)?


Resistir ao projeto totalitário do capitão cloroquina é uma bandeira de todos os democratas, sejam eles de esquerda, de centro ou de direita.

Está na hora de o verde e o amarelo voltarem às mãos dos democratas, que são a maioria dos brasileiros. Definitivamente, ela não deve, e não pode ser a marca dos que defendem ditaduras e não têm apreço pela democracia.

Quando o verde e o amarelo voltarem a ser as cores dominantes de nossas manifestações e outras cores, inclusive o vermelho e o preto, forem meras manchas na manifestação, este será o índice de que o movimento foi abraçado pela cidadania, e de que alcançou a máxima amplitude e força política.

E, quando isto acontecer, e se acontecer, seremos todos vitoriosos, pois, mais uma vez, o obscurantismo terá sido derrotado!

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(*)
Vivemos em um contexto político incomum e extraordinário.
Ir ou não ir às manifestações diante dos riscos reais de contágio é um dilema de difícil resolução, porque, embora essa decisão tenha um caráter indelegável e pessoal, ela pode ter consequências coletivas trágicas.
Claro, por isso, quem for ou não for às manifestações não merecerá críticas diante das circunstâncias políticas que as tornarão, doravante, inevitáveis, e penso, incontíveis.
Se for, há que ser com todos os cuidados; quais são, todos já os conhecemos!

terça-feira, 8 de junho de 2021

Reflexões









sábado, 5 de junho de 2021

O erro de FHC

Sempre nos sentimos fascinados com a inteligência. Jamais deixei de me sentir encantado com FHC neste aspecto.

Mas chegou o momento de nos libertarmos desse “canto de sereia” hipnótico, pois estou convencido de que nos últimos anos FHC não tem tido mais um papel positivo na política.


FHC foi um grande presidente da república. O que fez de positivo foi incontestável. Os que são justos jamais poderão lhe negar feitos magníficos. Muito já se disse e escreveu sobre isso, pois foi um dos nossos melhores presidentes. Quanto a isso, a história já lhe fez justiça.

Mas o objetivo deste post é falar do presente, e da influência negativa que tem tido; lamentavelmente, que se inicia dentro do seu próprio partido, o PSDB.

Sei que estou pisando em casa de marimbondos, mas essa discussão precisa ser iniciada, focalizando, mais precisamente, neste momento, em que o PT, que quis até “impichá-lo”, se derrama em elogios, buscando resgatá-lo como personalidade e, principalmente, como cabo eleitoral de Lula.

Lembro algumas questões objetivas:
  1. As primeiras experiências da modalidade de “corrupção estratégica” (captação planejada e centralizada, para servir a um projeto político, de recursos ilícitos de licitações fraudadas na administração direta e de obras superfaturadas nas estatais) envolveram políticos do PSDB; o PT aprendeu, aperfeiçoou e institucionalizou essa estratégia ao escolher a ODEBRECHT como empreiteira operadora preferencial. O mensalão e o petrolão foram demonstrações provadas desse momento;
  2. FHC jamais defendeu a Lava-Jato, a não ser como jogo de cena, pois os senões foram sempre o conteúdo principal; pior, alimentou o discurso interno do PSDB e de seus militantes no que, mais adiante, conformou a força política e social do “antilavajatismo”. Com isso, aliou-se, objetivamente, a Bolsonaro, ao PT e ao “centrão”, para liquidar com a Lava-Jato;
  3. De longa data vem sendo um defensor de Lula (me refiro ao período em que ficou evidenciado o envolvimento do PT com a corrupção) e atuou, por dezenas de manifestações pessoais, e milhares de palavras, desde a sua condenação, para criar em sua área de influência, inclusive no STF, ambiente para a anulação das condenações de Lula; e esta passação de pano acentuou-se no período anterior às eleições de 2018;
  4. Por último, lançou (dizendo que não lançou) a candidatura de Lula para 2022, o que praticamente já o colocou no 2º turno.
Sei que estarei enfurecendo a muitos dos seus seguidores, mas estou preparado para um debate respeitoso.

Doravante, como Ulisses, pedirei para me amarrarem ao mastro do navio para escapar dos “cantos de sereia”. Para construir a democracia não precisamos de gurus, nem grandes nem pequenos. Muito menos de mitos. Basta-nos o conhecimento e a inteligência!

Mas nestes dias aprendi que vivemos cercados de gado. Não apenas bolsonaristas, mas lulopetistas, fhc-istas,…ou até papistas. O que se vai fazer, a não ser lutar contra isso?

quarta-feira, 2 de junho de 2021

A necessidade histórica da 3ª Via

A 3ª Via significa uma alternativa democrática a Bolsonaro e a Lula.

Ela corresponde à necessidade histórica de um novo projeto político e de nação, sem o qual estaremos, mais uma vez, adiando um Brasil mais democrático, mais próspero e mais justo!

Sobretudo, esse futuro é possível! Precisamos, agora, para viabilizar e realizar essa necessidade histórica, unir a maioria dos brasileiros, que são democratas!

E devemos receber, de forma aberta e ampla, todos os brasileiros dignos que queiram se somar a este projeto!

Não importa que o candidato da 3ª via seja de esquerda, de centro ou de direita. O que importa é que seja um democrata!

Neste momento, de construção deste projeto, nada impede que quem seja de esquerda defenda que esse candidato seja um democrata de esquerda; que quem seja de direita defenda que esse candidato seja um democrata de direita. Isto apenas enriquecerá o leque de nossas alternativas.

Indispensável, entretanto, para realizá-la, é colocar os interesses dos brasileiros acima dos interesses partidários, e romper com o nós contra eles, que divide o Brasil e que caracteriza a polarização bolsonarismo x lulopetismo.

A tarefa histórica dos democratas é levar o candidato da 3ª via ao 2º turno das eleições presidenciais de 2022. Se ele chegar lá será o próximo presidente da república.


Esquerda, direita, centrão, ou democracia?

Estamos acostumados, e condicionados, ao analisarmos a política brasileira, a ficarmos aprisionados às alternativas políticas e conceituais de esquerda, centro ou direita. Se elas correspondem a opções político-programáticas e ideológicas bem definidas, e de longa tradição histórica, entretanto, hoje, elas bloqueiam o desenvolvimento de nossa democracia.


E, ao buscarmos uma opção que rompa com os erros da esquerda ou da direita, muitas vezes buscamos um “centro” hipotético de valores ou programa indefinidos; e nos vemos sempre diante do risco real, ou da fatalidade, de cairmos nos braços do “centrão”, um espectro fantasmagórico, mas concreto, onipresente e assustador, corrupto, fisiológico e descompromissado com a superação dos problemas nacionais.

Do “centrão” não escapou o lulopetismo; pior, ao render-se a ele, fez da corrupção estratégica (*) a sua marca; e, agora, o bolsonarismo seguiu os mesmos passos, vendendo a alma ao diabo e rompendo, descaradamente, com o seu discurso de campanha.

A 3ª Via não corresponde à visão de opções políticas neste mesmo plano. Ela é a superação, em outro plano, da trágica busca da esquerda ou da direita por um centro, ou centrão, para poder governar. Definitivamente, não é pela reprodução disso que devemos lutar, e é com isso que queremos romper! A esquerda ou a direita tem preferido aliar-se ao centrão, que vende-se ao sabor das circunstâncias, do que unirem-se, tendo como referência o valor fundamental da democracia para fazer valer o interesse nacional!

Não vivemos mais no tempo da guerra fria. Portanto, a opção pelo valor fundamental da democracia está em um plano superior aos interesses da esquerda, da direita, do centro ou do “centrão”. Somente o projeto da democracia será capaz de isolar o “centrão” no legislativo, formando uma aliança democrática majoritária para governar. Isto é fundamental para superarmos o “atraso” do sistema político brasileiro e promover, mais adiante, as reformas que se farão necessárias!

A 3ª Via quer escapar do dilema ilustrado pela figura, aprisionado à uma mesma lógica, que insiste, tragicamente, em se repetir. Ela propõe que nos reencontremos em um plano superior; ou seja, no valor unificador da democracia!

Haverá quem não concorde com isso, pois essa visão atenta contra os seus projetos de poder. Deixemos que gritem sozinhos!

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(*) A “corrupção estratégica” é orientada por um projeto político, e por possuir um comando e planejamento centralizado para atingir os seus objetivos. Ela se diferencia da velha e conhecida "corrupção laissez faire", que não possui comando ou planejamento centralizado.