sábado, 5 de junho de 2021

O erro de FHC

Sempre nos sentimos fascinados com a inteligência. Jamais deixei de me sentir encantado com FHC neste aspecto.

Mas chegou o momento de nos libertarmos desse “canto de sereia” hipnótico, pois estou convencido de que nos últimos anos FHC não tem tido mais um papel positivo na política.


FHC foi um grande presidente da república. O que fez de positivo foi incontestável. Os que são justos jamais poderão lhe negar feitos magníficos. Muito já se disse e escreveu sobre isso, pois foi um dos nossos melhores presidentes. Quanto a isso, a história já lhe fez justiça.

Mas o objetivo deste post é falar do presente, e da influência negativa que tem tido; lamentavelmente, que se inicia dentro do seu próprio partido, o PSDB.

Sei que estou pisando em casa de marimbondos, mas essa discussão precisa ser iniciada, focalizando, mais precisamente, neste momento, em que o PT, que quis até “impichá-lo”, se derrama em elogios, buscando resgatá-lo como personalidade e, principalmente, como cabo eleitoral de Lula.

Lembro algumas questões objetivas:
  1. As primeiras experiências da modalidade de “corrupção estratégica” (captação planejada e centralizada, para servir a um projeto político, de recursos ilícitos de licitações fraudadas na administração direta e de obras superfaturadas nas estatais) envolveram políticos do PSDB; o PT aprendeu, aperfeiçoou e institucionalizou essa estratégia ao escolher a ODEBRECHT como empreiteira operadora preferencial. O mensalão e o petrolão foram demonstrações provadas desse momento;
  2. FHC jamais defendeu a Lava-Jato, a não ser como jogo de cena, pois os senões foram sempre o conteúdo principal; pior, alimentou o discurso interno do PSDB e de seus militantes no que, mais adiante, conformou a força política e social do “antilavajatismo”. Com isso, aliou-se, objetivamente, a Bolsonaro, ao PT e ao “centrão”, para liquidar com a Lava-Jato;
  3. De longa data vem sendo um defensor de Lula (me refiro ao período em que ficou evidenciado o envolvimento do PT com a corrupção) e atuou, por dezenas de manifestações pessoais, e milhares de palavras, desde a sua condenação, para criar em sua área de influência, inclusive no STF, ambiente para a anulação das condenações de Lula; e esta passação de pano acentuou-se no período anterior às eleições de 2018;
  4. Por último, lançou (dizendo que não lançou) a candidatura de Lula para 2022, o que praticamente já o colocou no 2º turno.
Sei que estarei enfurecendo a muitos dos seus seguidores, mas estou preparado para um debate respeitoso.

Doravante, como Ulisses, pedirei para me amarrarem ao mastro do navio para escapar dos “cantos de sereia”. Para construir a democracia não precisamos de gurus, nem grandes nem pequenos. Muito menos de mitos.

Mas nestes dias aprendi que vivemos cercados de gado. Não apenas bolsonaristas, mas lulopetistas, fhc-istas,…ou até papistas. O que se vai fazer, a não ser lutar contra isso?

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