terça-feira, 29 de junho de 2021

Você votaria em Lula? Não e Sim, mais não do que sim!

Precisamos nos dar, em 2022, a oportunidade de uma renovação histórica na política.

Devemos trabalhar com a premissa, e a esperança, de que caminharemos para eleições democráticas como as tivemos desde a promulgação da Constituição de 1988. E de que haverá a continuidade de um dos fundamentos garantidores da idoneidade desse processo, que são as urnas eletrônicas, com apuração eletrônica, sem voto impresso.

Mas não podemos mais ficar adiando a construção de um Brasil mais justo, mais próspero e mais democrático. Nos últimos anos temos até andado para trás. Precisamos votar para superar e romper com a nefasta polarização bolsonarismo x lulopetismo, pois isso corresponde a uma necessidade histórica.

A bandeira da ética, da luta contra a corrupção e para acabar com a impunidade, por seu caráter democrático, voltará a ter em 2022 a mesma importância que teve em 2018. E se o capitão cloroquina for afastado o será por esta mesma razão!

Lula, e o PT, já a tinha perdido em 2018. Bolsonaro a perdeu para 2022.


Por isso, permitam-me passar para a primeira pessoa, para declarar que, em 2022, Lula é a minha última opção para nos livrarmos de Bolsonaro.

Os adeptos de Lula usam as pesquisas eleitorais de hoje para tentar provar não existir outra alternativa a Bolsonaro; mas isso não me demoverá, embora, devo reconhecê-lo, elas devam ser levadas a sério e, também, que elas impressionaram a muitos temerosos de que o destino do país seja consequência de manobras eleitorais espertas dos poderosos. Mas não devemos fazer negócio eleitoral com a história, até porque ela gosta de nos surpreender.

Muita água ainda vai rolar até 2022, pois o quadro político está mudando rapidamente. Não podemos saber, ainda, neste momento, se Bolsonaro chegará ao 2º turno, ou, mesmo, se será afastado antes e não disputará a eleição. E, mesmo, precisamos ficar atentos de que os polos, como tática, desdenham da possibilidade de que um candidato da 3ª Via possa surgir forte e competitivo a qualquer instante!

Tudo devemos fazer, nos limites éticos impostos aos cidadãos, para levar um candidato do campo democrático ao 2º turno. E saber que, se ele lá estiver, provavelmente será o próximo presidente da república, não importa quem enfrente, seja ele Lula ou Bolsonaro.

Mas se me perguntarem, você votaria em Lula? Respondo com toda a clareza: no primeiro turno não votarei em Lula.

E, no 2º turno, você votaria? Respondo que esta hipótese somente será examinada se Lula lá estiver com Bolsonaro, o que já consideraria uma tragédia histórica. 

Sendo mais preciso, somente se o meu voto e o de tantos outros que pensem como eu, vier a ser imprescindível para a derrota de Bolsonaro. Dou apenas uma razão: Lula jamais atentou contra a democracia, enquanto o sonho azul do capitão é governar ditatorialmente.

E se me perguntarem se eu poderia, nestas circunstâncias - de Lula e Bolsonaro no 2º turno -, ainda assim não votar em Lula? Respondo que eu gostaria de não votar, e que espero não precisar votar.

E não votarei em duas circunstâncias: 1. Se Lula não precisar do meu voto para vencer; 2. Se ele não precisar do meu voto para perder. Para que fique mais claro, se eu estiver convencido que o meu voto, junto com o de todos os que provavelmente votariam nulo ou branco, não modificarão a sua condição de ganhador ou de perdedor (naturalmente, observadas as previsões apresentadas pelos institutos de pesquisa às vésperas da votação), eu, repito, não votarei em Lula. Este foi o caso da eleição de 2018 (*). Nem Bolsonaro precisou dos votos nulos ou brancos para ganhar, nem Haddad precisou deles para perder. Observo que não faço campanha por voto nulo ou branco, mas, nestas circunstâncias, e somente nestas, esse voto me deixaria mais em paz com a minha própria consciência.

Penso em eleições presidenciais como momentos históricos definidores dos rumos do país, afetando a vida de todos os brasileiros. Não podemos, nem devemos, nos envolver em eleições como se apostássemos no mais provável vencedor! Assim age o “Centrão”, que neste momento já discute se abandona ou não o capitão. Mas esse tipo de jogo é prejudicial ao país! Quem o praticou foi o lulopetismo enquanto foi governo, e agora o bolsonarismo; e isto fica ainda mais nítido neste momento em que o capitão já está afundando.

E pior, se praticarmos esse jogo, seremos, mais uma vez, derrotados antes de iniciarmos o jogo que importa, o histórico, que mais uma vez será jogado em 2022.


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(*) 
Até hoje alguns eleitores de Haddad repetem a falácia de que foram os votos nulos e brancos que o levaram à derrota. Este texto destina-se aos que, de boa fé, até hoje acreditaram nisso.

Mas as pessoas que tenham se detido sobre os números da votação no 2º turno das eleições presidenciais de 2018 sabem que isso não é verdade. Abaixo, o quadro com as apurações oficiais divulgadas pelo TSE:


Do quadro, vê-se que a diferença da votação de Bolsonaro e de Haddad foi de 10.756.941 (57.797.847 - 47.040.906) votos.

Do quadro, também, observa-se que o total de votos nulos e brancos foi de 11.094.698 votos.

Pessoalmente, desconheço qualquer pesquisa posterior à eleição que pudesse identificar, dentre os que votaram nulo ou branco, qual o percentual desses eleitores que consideravam Haddad o candidato “menos pior”, e que, portanto, poderiam ter votado nele. De resto desenhar uma pesquisa deste tipo é, no mínimo, de quase impossível formatação, por ser quase impossível identificar quem votou nulo ou branco com o voto secreto.

Não se podendo obter esse percentual, a melhor hipótese é a de que desses eleitores 50% julgavam Haddad o menos pior e que 50% julgavam a Bolsonaro o menos pior. Portanto, Haddad, se todos os que o consideravam o menos pior votassem nele, ele receberia, além dos votos que recebeu, mais 50% de 11.094.698, ou seja, 5.547.349. Estes votos, evidentemente, não seriam suficientes para lhe dar a vitória!

Mas, talvez, essa análise não seja suficiente para convencer aos que até agora acreditaram nessa falácia. Consideremos, então, que 90% dos votos nulos e brancos tivessem sido dados a Haddad; ou seja, 90% de 11.094.698, o que resultaria em 9.985.228 votos. Mas ele precisaria de pelo menos mais 10.756.941 para pelo menos empatar com Bolsonaro!

Não me é prazeroso destruir ilusões. Mas defendo que somente derrotaremos o obscurantismo bolsonarista com os fatos e sem obscurantismo ou negacionismo de qualquer natureza.

Sei que apesar dessa prova muitos ainda continuarão a repetir essa falácia. Mas aqui o caso já será outro, os de construtores conscientes de narrativas falaciosas, que chamamos de FakeNews. A estes eu combato e convido todos a combatê-los!

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