terça-feira, 27 de julho de 2021

O verde e amarelo é o tom do projeto político da democracia

O que deve nos unir é sermos democratas; e mesmo o mais ingênuo esquerdista de hoje, o que vez por outra ainda tem recidivas da doença infantil do comunismo, sabe que a nossa luta é para resistir ao projeto totalitário de Bolsonaro. E isto exige unir todos os democratas, de esquerda, de centro e de direita.


Parte da esquerda, óbvio, continuará levando as suas bandeiras vermelhas. Eu pertenço a esta tradição, mas levarei o verde e amarelo. Muitos, rapidamente, compreenderão que esta é a posição correta, e espero que breve seja assumida pela maioria da esquerda.

O vermelho logo se reduzirá a manchas, quer por clareza dos democratas de esquerda, quer porque quem não é de esquerda preferirá o verde e amarelo. E este conjunto de democratas, a maioria dos brasileiros, precisará entrar em cena para responder ao apelo da necessidade histórica!

Claro, o PT quer que as manifestações continuem vermelhas, porque, por cálculo, sabe que manter a polarização é a melhor tática para levar Lula ao 2º turno. Mas isto é o mesmo que pretender projetar o futuro do país olhando pelo retrovisor da história; e repetir os mesmos erros.

O PT abandonou, com isso, a resistência democrática e joga irresponsavelmente na radicalização. Mas não é o que a maioria dos democratas pensa, inclusive os que, hoje, estão indo às manifestações artificialmente “vermelhas”.

O verde e amarelo, que é o tom do projeto político da democracia, em breve tomará as ruas; e, para tristeza dos que já estão na campanha do Lula, essas manifestações deixarão de ser palanque para a sua candidatura.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Os vendilhões do templo

Se há tantos vendilhões do templo usando o nome de Deus em vão, por que eu - ou você - não podemos dar o nosso palpite?

Vamos ser francos: Jesus já deve estar de saco cheio com esse falso messias picareta que se elegeu presidente do Brasil!

Qual a lógica utilizada pelos vendilhões do templo?
  • Transformaram Jesus em mercadoria. E se você quiser a graça de Jesus, tem que pagar o dízimo. Vão te dizer que isto já está na Bíblia, a palavra indiscutível de Deus. Pronto, milhões de cidadãos crédulos são convencidos pelas igrejas atuais, com narrativas convenientes, de que esta é a Lei de Deus; uma prova necessária e suficiente, o que você acha?
  • Jesus, enquanto mercadoria, é um produto acima de qualquer suspeita. Se você pretendeu uma graça de Jesus, rezou por isso, e não a conseguiu, óbvio, a culpa não foi de Jesus, que é infalível, mas apenas sua, que não teve fé suficiente!
Com essa lógica, fortunas, religiões, igrejas e templos imensos têm sido construídos!

Pois bem, o cidadão bem informado aprendeu a fugir e a proteger-se dos charlatões. Mas existe um contingente imenso de cidadãos com imensa carência espiritual e material que são por eles enganados.

Os políticos sem princípios vivem bajulando e aliando-se aos chamados pastores charlatões que usam sua influência para negociar votos.

Hoje, Bolsonaro faz isso, e é apoiado por dezenas de denominações religiosas neopentecostais.


Mas antes dele gerações de políticos têm se aproveitado da fé (ou da boa fé) para conquistar o poder! Quem esqueceu-se, p.ex., que a presidente Dilma, em 2014, compareceu à inauguração do “Templo de Salomão”, a convite de Edir Macedo, e pousou para todas as fotos desejadas por sua campanha para que recebesse os votos das ovelhas da Universal. Como poderia recusar? Lá estavam, também, o seu Vice, Temer, o governador de São Paulo, Alckimin, e Haddad; estes dois últimos seriam candidatos a presidente em 2018 pelo PSDB e pelo PT. As duas fotos abaixo, claras por si mesmas, foram tiradas na inauguração do Templo.



Bem, como eu não sou pastor, não abri templos, não cobro dízimo para salvar almas ou vender milagres, sinto-me com muito mais autoridade para prever que Jesus não está de forma alguma interessado na reeleição do Capitão picareta. Duvida? Com quem você fica? Com a minha intuição ou com a “fé” do Edir Macedo?

Assunto incômodo, não é? Mas precisa ser enfrentado! E você não precisa perder a sua fé para isso!

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Bolsonaro em queda

As pesquisas DataFolha divulgadas na imprensa no dia 8/07/21 mostram um momento de inferno astral do capitão cloroquina.

Naturalmente, os seus apoiadores se apressarão em afirmar que essas pesquisas são forjadas, e que tudo não é mais do que parte de uma conspiração Globo-DataFolha. Sempre a Globo! No passado o PT já disse isso também, mas, agora,  a está levando muito a sério, embora não necessariamente gostando, pois o DataFolha sempre gozou de alta credibilidade dentre os seus analistas.

Existem dados objetivos para justificar uma preocupação real, que já se reflete no precário estado emocional em que o capitão se encontra, o que demonstra com a sua aparência conturbada e falas desconectadas com a realidade: as mais de 530.000 mortes pela COVID-19 em 8/07/21, e o desvendamento da corrupção em seu governo, que já começara com o ministro Salles, do meio Ambiente, e as que, agora, vieram à luz com as negociatas para aquisição de vacinas no ministério da Saúde, inclusive envolvendo militares, como mostrado na CPI da pandemia. E em todos os casos está a marca dos crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente.

Mais uma vez, ameaça virar a mesa com a nota que obrigou os chefes militares a redigirem, contra as suas vontades, em defesa de militares corruptos e incompetentes do baixo clero das forças armadas.

Não fosse pouco, o bravo capitão tornou-se prisioneiro do “Centrão”, que continuará cobrando caro, com mais corrupção, a blindagem contra o impeachment. E o seu desespero ainda é maior pela certeza de que o abandonarão logo que perceberem que a direção dos ventos realmente mudou na opinião pública.

Abaixo, os dados da pesquisa data folha divulgados no dia 8/07/21 (*):



Editado pela Globo, com informações adicionais:


Imagem do presidente (**):

                                          Edição de Carlos Alberto Torres

Sem dúvida, uma dura pesquisa, pois nenhum presidente de qualquer país gostaria de vestir a pele do capitão com esta tão completa e triste avaliação pública. Mas é, também, um caso raro de uma desgraça pela qual ele é o único culpado. O que importa são as tendências; muita água ainda irá rolar até as eleições de 2022.

Para desespero do capitão, essas tendências apontam para retirá-lo do 2º turno das eleições de 2022. Neste caso, o desespero não será apenas dele, mas, também, de Lula, que, se disputar no 2º turno com um candidato da 3ª Via será derrotado.
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quinta-feira, 8 de julho de 2021

A tentação autoritária

O desrespeito à Constituição é um problema grave em nosso país.

A nota dos ministros militares divulgada no dia 7/07/21, quarta-feira, colocando-se em defesa corporativa dos seus corruptos no governo, é um grave exemplo.


Mas qualquer brasileiro, seja ele civil ou militar, que se valha das suas funções no Estado para roubar deve ser punido!

A luta contra a impunidade tem um caráter democrático, e quem é contra, seja civil ou militar, atenta contra a democracia!

Alguns dos maiores protagonistas de nossa vida política não têm grande apreço pela Constituição.

O PT, p.ex., torceu o nariz para assiná-la, e, quando no governo, montou o maior esquema de corrupção de nossa história para assaltar o Estado.

No STF, alguns ministros a rasgam, continuamente, quando é necessário ao seu “negócio” de anular condenações e libertar corruptos poderosos.

Esse desrespeito está em toda parte, daí a instabilidade de nossa democracia!


Íntegra da nota (*):

"O Ministro de Estado da Defesa e os Comandantes da Marinha e do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira repudiam veemente as declarações do Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Senador Omar Aziz, no dia 07 de junho de 2021, desrespeitando as Forças Armadas e generalizando esquemas de corrupção.

Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável.

A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira são instituições pertencentes ao povo brasileiro e que gozam de elevada credibilidade junto à nossa sociedade conquistada ao longo dos séculos.

Por fim, as Forças Armadas do Brasil, ciosas de se constituírem fator essencial da estabilidade do País, pautam-se pela fiel observância da Lei e, acima de tudo, pelo equilíbrio, ponderação e comprometidas, desde o início da pandemia Covid-19, em preservar e salvar vidas.

As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”.

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quarta-feira, 7 de julho de 2021

Por um mar democrático de verde e amarelo!

Permitam-me uma reflexão pessoal.

Dirijo-me, em particular, aos que se preocupam em passar por “bolsonarista”, se forem às manifestações levando o verde e amarelo de nossa bandeira. Essa, sem dúvida, é uma preocupação legítima, principalmente se carregamos no mais íntimo de nossa formação política uma consciência democrática.


No meu caso, somo a isso o de ser um democrata de esquerda, pois essa é a história de minha vida como cidadão.

Mas, falo por mim, não temo isso, como não o temi no último sábado, 3/07, quando sai portando uma imensa bandeira do Brasil, pois ninguém irá tornar-me o que não sou.


Agressões morais, portanto, não me atingiriam, e não ocorreram!

Eu temeria uma agressão física? Eventualmente isso poderia ocorrer, pontualmente, mas fica difícil se eu estiver acompanhado, como estive, e se tiver os mesmos cuidados que tomo, diariamente, quando saio à rua!

Mas não ostentei o meu verde e amarelo como uma provocação aos “vermelhos”! Mas como uma proposta de unidade para lutar contra o projeto totalitário do capitão e no movimento do “Fora Bolsonaro”, pois estou convencido de que quanto mais verde e amarelo o movimento tiver, mais amplo e mais forte ele será para atingir os seus objetivos!

Fui em paz e voltei em paz!

O mais importante, talvez, será o que direi agora. Sim, lá estavam os PCOs e PCBs, que quase não conseguem eleger um vereador, “avermelhando” as ruas. Mas, se parecem muitos hoje, serão meras manchas quando o verde e amarelo tomar as ruas!

Mas lá estavam, principalmente, em sua maioria, os cidadãos que não são filiados a qualquer partido! Me permitam dizer: acho que eles gostaram de ver o verde e amarelo antibolsonarista!


Pois bem, despreocupe-se, por um momento, com quem controla os carros de som, pois, se o verde e amarelo democrático tomar as ruas logo o discurso mudará!

Minha sugestão simples: coloque um tom verde e amarelo, leve a sua bandeira do Brasil, ou, se quiser, apenas um lenço ou uma máscara com esses tons, vá com os seus amigos, também desejosos de participar, e conclua, por si mesmo, que o Brasil está às vésperas de uma mudança política importante.

Depois volte para casa, feliz, aliviado, ileso e convencido, como eu, que esta terá sido uma contribuição mínima, pequena, mas importantíssima, para fazer surgir uma alternativa democrática capaz de quebrar a nefasta polarização bolsonarismo x lulopetismo que tanto prejudica o Brasil!

quarta-feira, 30 de junho de 2021

A falácia de que Haddad foi derrotado pelos votos nulos e brancos

 Até hoje alguns eleitores de Haddad repetem a falácia de que foram os votos nulos e brancos que o levaram à derrota. Este texto destina-se aos que, de boa fé, até hoje acreditaram nisso.

Mas as pessoas que tenham se detido sobre os números da votação no 2º turno das eleições presidenciais de 2018 sabem que isso não é verdade. Abaixo, o quadro com as apurações oficiais divulgadas pelo TSE:


Do quadro, vê-se que a diferença da votação de Bolsonaro e de Haddad foi de 10.756.941 (57.797.847 - 47.040.906) votos.

Do quadro, também, observa-se que o total de votos nulos e brancos foi de 11.094.698 votos.

Pessoalmente, desconheço qualquer pesquisa posterior à eleição que pudesse identificar, dentre os que votaram nulo ou branco, qual o percentual desses eleitores que consideravam Haddad o candidato “menos pior”, e que, portanto, poderiam ter votado nele. De resto desenhar uma pesquisa deste tipo é, no mínimo, de quase impossível formatação, por ser quase impossível identificar quem votou nulo ou branco com o voto secreto.

Não se podendo obter esse percentual, a melhor hipótese é a de que desses eleitores 50% julgavam Haddad o menos pior e que 50% julgavam a Bolsonaro o menos pior. Portanto, Haddad, se todos os que o consideravam o menos pior votassem nele, ele receberia, além dos votos que recebeu, mais 50% de 11.094.698, ou seja, 5.547.349. Estes votos, evidentemente, não seriam suficientes para lhe dar a vitória!

Mas, talvez, essa análise não seja suficiente para convencer aos que até agora acreditaram nessa falácia. Consideremos, então, que 90% dos votos nulos e brancos tivessem sido dados a Haddad; ou seja, 90% de 11.094.698, o que resultaria em 9.985.228 votos. Mas ele precisaria de pelo menos mais 10.756.941 para pelo menos empatar com Bolsonaro!

Não me é prazeroso destruir ilusões. Mas defendo que somente derrotaremos o obscurantismo bolsonarista com os fatos e sem obscurantismos ou negacionismos de qualquer outra natureza.

Sei que apesar dessa prova muitos ainda continuarão a repetir essa falácia. Mas aqui o caso já será outro, os de construtores conscientes de narrativas falaciosas, que chamamos de FakeNews. A estes eu combato e convido todos a combatê-los!

terça-feira, 29 de junho de 2021

Você votaria em Lula? Não e Sim, mais não do que sim!

Precisamos nos dar, em 2022, a oportunidade de uma renovação histórica na política.

Devemos trabalhar com a premissa, e a esperança, de que caminharemos para eleições democráticas como as tivemos desde a promulgação da Constituição de 1988. E de que haverá a continuidade de um dos fundamentos garantidores da idoneidade desse processo, que são as urnas eletrônicas, com apuração eletrônica, sem voto impresso.

Mas não podemos mais ficar adiando a construção de um Brasil mais justo, mais próspero e mais democrático. Nos últimos anos temos até andado para trás. Precisamos votar para superar e romper com a nefasta polarização bolsonarismo x lulopetismo, pois isso corresponde a uma necessidade histórica.

A bandeira da ética, da luta contra a corrupção e para acabar com a impunidade, por seu caráter democrático, voltará a ter em 2022 a mesma importância que teve em 2018. E se o capitão cloroquina for afastado o será por esta mesma razão!

Lula, e o PT, já a tinha perdido em 2018. Bolsonaro a perdeu para 2022.


Por isso, permitam-me passar para a primeira pessoa, para declarar que, em 2022, Lula é a minha última opção para nos livrarmos de Bolsonaro.

Os adeptos de Lula usam as pesquisas eleitorais de hoje para tentar provar não existir outra alternativa a Bolsonaro; mas isso não me demoverá, embora, devo reconhecê-lo, elas devam ser levadas a sério e, também, que elas impressionaram a muitos temerosos de que o destino do país seja consequência de manobras eleitorais espertas dos poderosos. Mas não devemos fazer negócio eleitoral com a história, até porque ela gosta de nos surpreender.

Muita água ainda vai rolar até 2022, pois o quadro político está mudando rapidamente. Não podemos saber, ainda, neste momento, se Bolsonaro chegará ao 2º turno, ou, mesmo, se será afastado antes e não disputará a eleição. E, mesmo, precisamos ficar atentos de que os polos, como tática, desdenham da possibilidade de que um candidato da 3ª Via possa surgir forte e competitivo a qualquer instante!

Tudo devemos fazer, nos limites éticos impostos aos cidadãos, para levar um candidato do campo democrático ao 2º turno. E saber que, se ele lá estiver, provavelmente será o próximo presidente da república, não importa quem enfrente, seja ele Lula ou Bolsonaro.

Mas se me perguntarem, você votaria em Lula? Respondo com toda a clareza: no primeiro turno não votarei em Lula.

E, no 2º turno, você votaria? Respondo que esta hipótese somente será examinada se Lula lá estiver com Bolsonaro, o que já consideraria uma tragédia histórica. 

Sendo mais preciso, somente se o meu voto e o de tantos outros que pensem como eu, vier a ser imprescindível para a derrota de Bolsonaro. Dou apenas uma razão: Lula jamais atentou contra a democracia, enquanto o sonho azul do capitão é governar ditatorialmente.

E se me perguntarem se eu poderia, nestas circunstâncias - de Lula e Bolsonaro no 2º turno -, ainda assim não votar em Lula? Respondo que eu gostaria de não votar, e que espero não precisar votar.

E não votarei em duas circunstâncias: 1. Se Lula não precisar do meu voto para vencer; 2. Se ele não precisar do meu voto para perder. Para que fique mais claro, se eu estiver convencido que o meu voto, junto com o de todos os que provavelmente votariam nulo ou branco, não modificarão a sua condição de ganhador ou de perdedor (naturalmente, observadas as previsões apresentadas pelos institutos de pesquisa às vésperas da votação), eu, repito, não votarei em Lula. Este foi o caso da eleição de 2018 (*). Nem Bolsonaro precisou dos votos nulos ou brancos para ganhar, nem Haddad precisou deles para perder. Observo que não faço campanha por voto nulo ou branco, mas, nestas circunstâncias, e somente nestas, esse voto me deixaria mais em paz com a minha própria consciência.

Penso em eleições presidenciais como momentos históricos definidores dos rumos do país, afetando a vida de todos os brasileiros. Não podemos, nem devemos, nos envolver em eleições como se apostássemos no mais provável vencedor! Assim age o “Centrão”, que neste momento já discute se abandona ou não o capitão. Mas esse tipo de jogo é prejudicial ao país! Quem o praticou foi o lulopetismo enquanto foi governo, e agora o bolsonarismo; e isto fica ainda mais nítido neste momento em que o capitão já está afundando.

E pior, se praticarmos esse jogo, seremos, mais uma vez, derrotados antes de iniciarmos o jogo que importa, o histórico, que mais uma vez será jogado em 2022.


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Até hoje alguns eleitores de Haddad repetem a falácia de que foram os votos nulos e brancos que o levaram à derrota. Este texto destina-se aos que, de boa fé, até hoje acreditaram nisso.

Mas as pessoas que tenham se detido sobre os números da votação no 2º turno das eleições presidenciais de 2018 sabem que isso não é verdade. Abaixo, o quadro com as apurações oficiais divulgadas pelo TSE:


Do quadro, vê-se que a diferença da votação de Bolsonaro e de Haddad foi de 10.756.941 (57.797.847 - 47.040.906) votos.

Do quadro, também, observa-se que o total de votos nulos e brancos foi de 11.094.698 votos.

Pessoalmente, desconheço qualquer pesquisa posterior à eleição que pudesse identificar, dentre os que votaram nulo ou branco, qual o percentual desses eleitores que consideravam Haddad o candidato “menos pior”, e que, portanto, poderiam ter votado nele. De resto desenhar uma pesquisa deste tipo é, no mínimo, de quase impossível formatação, por ser quase impossível identificar quem votou nulo ou branco com o voto secreto.

Não se podendo obter esse percentual, a melhor hipótese é a de que desses eleitores 50% julgavam Haddad o menos pior e que 50% julgavam a Bolsonaro o menos pior. Portanto, Haddad, se todos os que o consideravam o menos pior votassem nele, ele receberia, além dos votos que recebeu, mais 50% de 11.094.698, ou seja, 5.547.349. Estes votos, evidentemente, não seriam suficientes para lhe dar a vitória!

Mas, talvez, essa análise não seja suficiente para convencer aos que até agora acreditaram nessa falácia. Consideremos, então, que 90% dos votos nulos e brancos tivessem sido dados a Haddad; ou seja, 90% de 11.094.698, o que resultaria em 9.985.228 votos. Mas ele precisaria de pelo menos mais 10.756.941 para pelo menos empatar com Bolsonaro!

Não me é prazeroso destruir ilusões. Mas defendo que somente derrotaremos o obscurantismo bolsonarista com os fatos e sem obscurantismo ou negacionismo de qualquer natureza.

Sei que apesar dessa prova muitos ainda continuarão a repetir essa falácia. Mas aqui o caso já será outro, os de construtores conscientes de narrativas falaciosas, que chamamos de FakeNews. A estes eu combato e convido todos a combatê-los!

segunda-feira, 28 de junho de 2021

O caráter democrático da luta contra a corrupção

 Abro aqui uma discussão sobre o caráter democrático da luta contra a corrupção. Serei sucinto na colocação da questão.


Tudo bem, a anulação das condenações de Lula pelo STF lhe deram condições legais de disputar a presidência.

Mas isso não o inocentou, pois os seus processos, embora tenham grande probabilidade de prescrição, foram remetidos para a Justiça Federal do Distrito Federal.

Os fatos que envolvem o capitão cloroquina com a aquisição irregular e superfaturada da Covaxin, fazem prever a alta probabilidade de surgirem graves casos de corrupção. Este é o preço da sua aliança estratégica com o Centrão para legislar no Congresso e para governar. Ainda é cedo para saber se isso o levará ao afastamento, mas o seu desgaste se aprofundará na sociedade, e revigorará o movimento de oposição nas ruas.

A bandeira da ética, da luta contra a corrupção e para acabar com a impunidade, por seu caráter democrático, voltará a ter em 2022 a mesma importância que teve em 2018. E se o capitão cloroquina for afastado o será por esta mesma razão!

Lula, e o PT, já a tinha perdido em 2018. Bolsonaro a perdeu para 2022.

Em que mãos ficará essa bandeira? Continuaremos a subestima-la sem compreender o seu caráter democrático, ou seja de que ela faz parte, intrinsecamente, do valor estratégico da democracia? E de que não é possível construir uma sociedade mais democrática, justa e próspera se continuarmos lenientes com a corrupção?

Pois bem esta bandeira não é lulopetista e não é bolsonarista. Ela deve ser de todos os democratas, de braços abertos para receber uns aos outros, amplamente articulados, generosamente, sem hegemonismos, para produzir uma alternativa democrática capaz de romper e quebrar com essa nefasta polarização.

Isso corresponde a uma necessidade histórica, um projeto de todos nós, pelo bem dos brasileiros, um projeto de país e de nação.

Concluo este texto na 1ª pessoa, como comecei. Reafirmo minha opinião de que Lula não tem as credenciais necessárias para liderar esse projeto.

Não devemos pensar nas pesquisas eleitorais atuais, sem subestima-las, como determinantes do futuro.

Se não estaremos tratando as eleições de 2022 apenas como um jogo, em que qualquer candidato serve, desde que, pelas pesquisas de hoje (*) tenha maior chance de derrotar o capitão, e pior, seremos, mais uma vez, derrotados antes de iniciarmos o jogo que importa, o histórico, que mais uma vez será jogado em 2022.

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(*) Me permitam fazer um comentário de caráter pessoal, mas que é esclarecedor de minha metodologia.

Não sou filiado a qualquer partido, mas não sou “apartidário”, no sentido de que não me proponho a fazer uma análise “isenta”, equidistante das diversas opções políticas, como se eu fosse um mero consultor cujo único objetivo fosse ser prever os acontecimentos futuros, ou, em termos práticos, como se fosse um instituto de pesquisa eleitoral, cujo trabalho é prever quem vai ganhar as próximas eleições presidenciais.

Se essa fosse a minha metodologia, eu abriria as pesquisas de popularidade de hoje, acerca dos possíveis candidatos, veria qual é o mais forte oponente ao capitão cloroquina e passaria, de imediato, a fazer campanha por ele (mesmo que eu não gostasse dele). Muitos estão cometendo este erro neste momento.

E quero deixar muito claro que levo muito em conta as pesquisas eleitorais sérias feitas às vésperas das eleições!

Mas não é essa a minha perspectiva. Penso em eleições presidenciais como momentos históricos definidores dos rumos do país, afetando a vida de todos os brasileiros.

Considero estarem cometendo erro repetitivo todos o críticos ao lulopetismo que, recentemente, como que se apressaram, prematuramente, a declarar apoio à candidatura de Lula.

Este foi o erro de FHC.

Claro, muitos se apressarão em dizer que “ele não quis dizer isso”, que ele, do alto de sua visão, qualidades e experiência está vendo coisas que nós, os simples mortais, não estamos vendo. Que seja, mas acho que estão errados com esse “seguidismo”.

E óbvio, acho que FHC errou; pois - de forma objetiva - fortaleceu uma candidatura que reproduz a nefasta polarização política que presenciamos em 2018.

Tudo se apresentou como se quem tivesse que fazer autocrítica de suas posições e erros passados não fosse Lula, mas FHC. Tudo se passou como se o trágico erro judicial do STF tivesse sido suficiente para inocentar Lula! Ora, isso não está correto. Não devemos nos calar quanto a isso!

Pois bem, neste momento o resultado das eleições de 2022 ainda não está dado! Até lá os democratas não devem se satisfazer nem com muita nem com pouca porcaria!

Devem se colocar como construtores do futuro!

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Os desatinos de Bolsonaro mostram, mais uma vez, o caráter democrático da luta contra a corrupção

Ainda não se sabe se os desatinos do capitão cloroquina, em particular, a corrupção, determinarão o fim do seu governo. Mas é possível, pois as evidências que se acumulam poderão dar forças ao campo democrático - formado pela maioria dos brasileiros, civis ou militares - para reagir, em tempo, em defesa da moralidade, da ética e da democracia.

O comportamento irresponsável do presidente é compatível com isso: a forma como tem agido no enfrentamento à pandemia, que levou à aquisição e produção em massa da cloroquina como uma estratégia para alcançar a imunidade de rebanho; o agora revelado escândalo da Covaxin, de compra superfaturada, enquanto vetava vacinas já reconhecidas internacionalmente; o seu olhar complacente com o desmatamento da Amazônia, com a exportação de madeira ilegal, com a mineração ilegal em terras indígenas e com a invasão e desmatamento de áreas de preservação ambiental por grileiros e fazendeiros para colocar as patas de boi (*); finalmente, a sua aliança tácita com milícias às quais quer armar com leis lenientes, mormente as do Rio de Janeiro, permitindo que áreas urbanas sejam dominadas pelo crime organizado à margem do controle do Estado.


Não satisfeito, ele e o seu clã alimentam propostas golpistas de setores de extrema direita contra a democracia, propondo o fechamento do Congresso e do STF; atua sistematicamente, e pessoalmente, para fragilizar as instituições da república: estimula o rompimento com a hierarquia e com a disciplina nas forças armadas; atua para comprometer a autonomia do MPF, da PF e de outros órgãos de controle para que não investiguem os crimes dos seus afetos e cúmplices; e desenvolve sistemática ação subversiva nas PMs estaduais com o claro objetivo de usá-las como forças políticas armadas a serviço do seu projeto totalitário e de repressão contra as manifestações populares. E esta é uma lista muito resumida.

Embora tenha sido eleito pegando carona na luta contra a corrupção, não foi por acaso que passou a temê-la, pois compreendeu que as suas ações logo ficariam expostas. Começou com o COAF, com a PF e com o MPF, porque, além disso, conduziam investigações que atingiam o seu filho Flávio Bolsonaro. Foi, portanto, emblemático que tenha passado a usar todo o seu poder para liquidar com a Lava-Jato, pois era necessário desmontar os instrumentos institucionais de combate à corrupção que, mais adiante, e inevitavelmente, seriam obstáculo aos seus desmandos rumo à quebra da institucionalidade democrática.

Moro passou a ser indesejável, pois não compactuaria, como não pactuou, com os seus desígnios, e por isso passou a ser necessário descarta-lo.

Não agiu, entretanto, sem senso estratégico, pois, a bem da verdade, juntou-se à aliança previamente existente de todos os processados e investigados que temiam e combatiam a Lava-Jato e odiavam a Moro, formada pelos políticos dos partidos mais comprometidos com a corrupção, incluídos o PT e o PSDB, e com todos os partidos do chamado “Centrão”. Paradoxalmente, passou a lidera-la, pois, observe-se, os rabos presos formaram a aliança política e ideológica mais ampla jamais alcançada na sociedade brasileira, unindo políticos de esquerda, de centro e de direita. Com isso, abriu-se a porteira, na Câmara e no Senado, para a hegemonia do “Centrão”, pois quem poderia operar com mais desfaçatez o desmonte do aparato legal do combate à impunidade?

Naturalmente, este quadro ficaria incompleto se não se destacasse, nessa “santa aliança”, notórios ministros do STF, especializados em libertar e anular sentenças condenatórias de criminosos poderosos de colarinho branco.

Um plano que parecia perfeito, não é?

Essa aliança de rabos presos para liquidar com a Lava-Jato, entretanto, foi a única unanimidade que o capitão cloroquina conseguiu. Algo deu errado. A vida dos indivíduos, e a história, também inclui acidentes; o seu plano não deu inteiramente certo, pois ninguém, por mais poder que tenha, consegue controlar todas as variáveis que afetam a sua vida, muito menos os acontecimentos sociais e políticos.   

Houve uma consequência não intencional de suas ações: Lula, valendo-se delas, como bom surfista, e com a valiosa ajuda de Gilmar Mendes e de seus seguidores no STF, conseguiu a anulação de suas condenações e tornou-se o seu principal adversário em 2022. Todo malandro, de tão malandro, acaba dando pernada em si mesmo. O capitão subestimou o fato de que os ministros do STF indicados por FHC, Lula, Dilma e Temer também tivessem os seus próprios planos.

E aqui se abriria um novo capítulo. Ele consiste no principal paradoxo da vida política e institucional brasileira.

Os ministros do STF que, por um lado, estão fortemente comprometidos com a preservação das instituições da democracia nascidas com a Constituição de 1988, são os mesmos que, em sua maioria, com nobres excessões, estão dando suporte jurídico e legitimidade para o desmonte do aparato legal para o combate à corrupção e à impunidade que se processa no Congresso sob a liderança do “Centrão”.  Pior, a desfaçatez com que anularam as condenações de Lula e com que, em vingança, decidiram pela suspeição de Moro, são um ultraje à justiça e ao povo brasileiro.

Várias são as consequências dessas decisões tomadas por essa maioria eventual do STF: a primeira, politica, a de buscar um caminho fácil, eleitoral, para se combater o projeto autoritário de Bolsonaro, remetendo as eleições de 2022, como as de 2018, para a nefasta polarização bolsonarismo x lulopetismo; a segunda, abriram a porteira para a anulação de todas as condenações da Lava-Jato; p.ex., será devolvido aos corruptos os bilhões ($) que acordaram restituir aos cofres públicos? Com que empenho, doravante, se dedicarão os jovens servidores concursados - PFs, Procuradores Federais e Juízes Federais -, às suas missões de combater os crimes de colarinho branco dos poderosos, e o crime organizado, se o trabalho árduo e competente que realizaram por anos foi anulado pelos caprichos de uns poucos juízes nomeados politicamente?

Voltando a Bolsonaro.

Os fatos relacionados aos seus desmandos, o que já levou à ultrapassagem dos 500.000 mortos na pandemia, fizeram despencar a sua popularidade e alimentaram a sua rejeição, como demonstram as pesquisas de opinião que estão vindo à luz. Por isso, desesperado, reforçou os seus delírios de que possa dar o golpe para que não precise disputar as próximas eleições. O mais trágico de sua situação, e ele sabe disso, é que cresce, vertiginosamente, a probabilidade de não ir sequer ao 2º turno. 

Mas se, ao ajudar a liquidar com a Lava-Jato, fez retroceder conquistas civilizatórias para o combate à corrupção e à impunidade, para beneficiar, antes, a si mesmo, mas tendo beneficiado a todos os corruptos, fragiliza-se em suas bases, e faz revigorar o movimento democrático, inclusive nas ruas.

Terá que amargar ver lá não apenas os oposicionistas de sempre, mas, também, a maioria dos seus eleitores, os democratas que votaram nele para promover uma alternância do poder e impedir que o PT voltasse ao governo. E verá, com desgosto e amargor, as bandeiras brasileiras e o verde e amarelo, que pensara ter tornado de sua propriedade, e do bolsonarismo, hegemonizarem essas manifestações de oposição.

O futuro do capitão cloroquina está marcado por incertezas. As coisas não estão boas para o seu lado. As possibilidades de futuro não o favorecem. Crescerá a pressão pelo seu impeachment. Não está descartada a hipótese de que o seu afastamento seja por interdição, porque pesam sobre ele não apenas acusações morais e éticas, mas a grave suspeita de incapacitação ou doença mental. Restaria, ainda, a hipótese de sua renúncia. Talvez esta seja a sua melhor alternativa, pois isso lhe seria uma saída honrosa, e ajudaria a pacificar o pais.

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(*) Estes desmandos na área ambiental determinaram investigações na PF determinadas pelo STF, que culminaram com o “pedido de demissão” do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles no dia 23/06/21. Registre-se que dois policiais federais, cumprindo zelosamente as suas missões de investigar crimes ambientais foram, antes, demitidos de seus cargos.


sexta-feira, 18 de junho de 2021

O verde e o amarelo são as cores da resistência democrática!

Uma sugestão, mas, também, uma abertura de discussão.

Que tal fazermos do verde e amarelo as cores dominantes da resistência democrática, da manifestação do próximo dia 19/06/21 e das que se seguirão (*)?


Resistir ao projeto totalitário do capitão cloroquina é uma bandeira de todos os democratas, sejam eles de esquerda, de centro ou de direita.

Está na hora de o verde e o amarelo voltarem às mãos dos democratas, que são a maioria dos brasileiros. Definitivamente, ela não deve, e não pode ser a marca dos que defendem ditaduras e não têm apreço pela democracia.

Quando o verde e o amarelo voltarem a ser as cores dominantes de nossas manifestações e outras cores, inclusive o vermelho e o preto, forem meras manchas na manifestação, este será o índice de que o movimento foi abraçado pela cidadania, e de que alcançou a máxima amplitude e força política.

E, quando isto acontecer, e se acontecer, seremos todos vitoriosos, pois, mais uma vez, o obscurantismo terá sido derrotado!

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(*)
Vivemos em um contexto político incomum e extraordinário.
Ir ou não ir às manifestações diante dos riscos reais de contágio é um dilema de difícil resolução, porque, embora essa decisão tenha um caráter indelegável e pessoal, ela pode ter consequências coletivas trágicas.
Claro, por isso, quem for ou não for às manifestações não merecerá críticas diante das circunstâncias políticas que as tornarão, doravante, inevitáveis, e penso, incontíveis.
Se for, há que ser com todos os cuidados; quais são, todos já os conhecemos!

terça-feira, 8 de junho de 2021

Reflexões









sábado, 5 de junho de 2021

O erro de FHC

Sempre nos sentimos fascinados com a inteligência. Jamais deixei de me sentir encantado com FHC neste aspecto.

Mas chegou o momento de nos libertarmos desse “canto de sereia” hipnótico, pois estou convencido de que nos últimos anos FHC não tem tido mais um papel positivo na política.


FHC foi um grande presidente da república. O que fez de positivo foi incontestável. Os que são justos jamais poderão lhe negar feitos magníficos. Muito já se disse e escreveu sobre isso, pois foi um dos nossos melhores presidentes. Quanto a isso, a história já lhe fez justiça.

Mas o objetivo deste post é falar do presente, e da influência negativa que tem tido; lamentavelmente, que se inicia dentro do seu próprio partido, o PSDB.

Sei que estou pisando em casa de marimbondos, mas essa discussão precisa ser iniciada, focalizando, mais precisamente, neste momento, em que o PT, que quis até “impichá-lo”, se derrama em elogios, buscando resgatá-lo como personalidade e, principalmente, como cabo eleitoral de Lula.

Lembro algumas questões objetivas:
  1. As primeiras experiências da modalidade de “corrupção estratégica” (captação planejada e centralizada, para servir a um projeto político, de recursos ilícitos de licitações fraudadas na administração direta e de obras superfaturadas nas estatais) envolveram políticos do PSDB; o PT aprendeu, aperfeiçoou e institucionalizou essa estratégia ao escolher a ODEBRECHT como empreiteira operadora preferencial. O mensalão e o petrolão foram demonstrações provadas desse momento;
  2. FHC jamais defendeu a Lava-Jato, a não ser como jogo de cena, pois os senões foram sempre o conteúdo principal; pior, alimentou o discurso interno do PSDB e de seus militantes no que, mais adiante, conformou a força política e social do “antilavajatismo”. Com isso, aliou-se, objetivamente, a Bolsonaro, ao PT e ao “centrão”, para liquidar com a Lava-Jato;
  3. De longa data vem sendo um defensor de Lula (me refiro ao período em que ficou evidenciado o envolvimento do PT com a corrupção) e atuou, por dezenas de manifestações pessoais, e milhares de palavras, desde a sua condenação, para criar em sua área de influência, inclusive no STF, ambiente para a anulação das condenações de Lula; e esta passação de pano acentuou-se no período anterior às eleições de 2018;
  4. Por último, lançou (dizendo que não lançou) a candidatura de Lula para 2022, o que praticamente já o colocou no 2º turno.
Sei que estarei enfurecendo a muitos dos seus seguidores, mas estou preparado para um debate respeitoso.

Doravante, como Ulisses, pedirei para me amarrarem ao mastro do navio para escapar dos “cantos de sereia”. Para construir a democracia não precisamos de gurus, nem grandes nem pequenos. Muito menos de mitos. Basta-nos o conhecimento e a inteligência!

Mas nestes dias aprendi que vivemos cercados de gado. Não apenas bolsonaristas, mas lulopetistas, fhc-istas,…ou até papistas. O que se vai fazer, a não ser lutar contra isso?

quarta-feira, 2 de junho de 2021

A necessidade histórica da 3ª Via

A 3ª Via significa uma alternativa democrática a Bolsonaro e a Lula.

Ela corresponde à necessidade histórica de um novo projeto político e de nação, sem o qual estaremos, mais uma vez, adiando um Brasil mais democrático, mais próspero e mais justo!

Sobretudo, esse futuro é possível! Precisamos, agora, para viabilizar e realizar essa necessidade histórica, unir a maioria dos brasileiros, que são democratas!

E devemos receber, de forma aberta e ampla, todos os brasileiros dignos que queiram se somar a este projeto!

Não importa que o candidato da 3ª via seja de esquerda, de centro ou de direita. O que importa é que seja um democrata!

Neste momento, de construção deste projeto, nada impede que quem seja de esquerda defenda que esse candidato seja um democrata de esquerda; que quem seja de direita defenda que esse candidato seja um democrata de direita. Isto apenas enriquecerá o leque de nossas alternativas.

Indispensável, entretanto, para realizá-la, é colocar os interesses dos brasileiros acima dos interesses partidários, e romper com o nós contra eles, que divide o Brasil e que caracteriza a polarização bolsonarismo x lulopetismo.

A tarefa histórica dos democratas é levar o candidato da 3ª via ao 2º turno das eleições presidenciais de 2022. Se ele chegar lá será o próximo presidente da república.


Esquerda, direita, centrão, ou democracia?

Estamos acostumados, e condicionados, ao analisarmos a política brasileira, a ficarmos aprisionados às alternativas políticas e conceituais de esquerda, centro ou direita. Se elas correspondem a opções político-programáticas e ideológicas bem definidas, e de longa tradição histórica, entretanto, hoje, elas bloqueiam o desenvolvimento de nossa democracia.


E, ao buscarmos uma opção que rompa com os erros da esquerda ou da direita, muitas vezes buscamos um “centro” hipotético de valores ou programa indefinidos; e nos vemos sempre diante do risco real, ou da fatalidade, de cairmos nos braços do “centrão”, um espectro fantasmagórico, mas concreto, onipresente e assustador, corrupto, fisiológico e descompromissado com a superação dos problemas nacionais.

Do “centrão” não escapou o lulopetismo; pior, ao render-se a ele, fez da corrupção estratégica (*) a sua marca; e, agora, o bolsonarismo seguiu os mesmos passos, vendendo a alma ao diabo e rompendo, descaradamente, com o seu discurso de campanha.

A 3ª Via não corresponde à visão de opções políticas neste mesmo plano. Ela é a superação, em outro plano, da trágica busca da esquerda ou da direita por um centro, ou centrão, para poder governar. Definitivamente, não é pela reprodução disso que devemos lutar, e é com isso que queremos romper! A esquerda ou a direita tem preferido aliar-se ao centrão, que vende-se ao sabor das circunstâncias, do que unirem-se, tendo como referência o valor fundamental da democracia para fazer valer o interesse nacional!

Não vivemos mais no tempo da guerra fria. Portanto, a opção pelo valor fundamental da democracia está em um plano superior aos interesses da esquerda, da direita, do centro ou do “centrão”. Somente o projeto da democracia será capaz de isolar o “centrão” no legislativo, formando uma aliança democrática majoritária para governar. Isto é fundamental para superarmos o “atraso” do sistema político brasileiro e promover, mais adiante, as reformas que se farão necessárias!

A 3ª Via quer escapar do dilema ilustrado pela figura, aprisionado à uma mesma lógica, que insiste, tragicamente, em se repetir. Ela propõe que nos reencontremos em um plano superior; ou seja, no valor unificador da democracia!

Haverá quem não concorde com isso, pois essa visão atenta contra os seus projetos de poder. Deixemos que gritem sozinhos!

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(*) A “corrupção estratégica” é orientada por um projeto político, e por possuir um comando e planejamento centralizado para atingir os seus objetivos. Ela se diferencia da velha e conhecida "corrupção laissez faire", que não possui comando ou planejamento centralizado.

sábado, 29 de maio de 2021

Rouba mas faz, de novo?

São muitos os que não concordam e se sentem incomodados com o teor deste artigo do jornalista Carlos Alberto Sardemberg, publicado hoje, 29/05/21, no caderno de economia do O Globo (*).


Muitos, “convenientemente”, não podem concordar, embora reconheçam o poder descritivo do autor sobre a nossa trágica realidade.


Mas, de gado, o que se há de esperar? Pois, seríamos ingênuos em pensar que só exista gado bolsonarista? Não, definitivamente! Existe, também, gado lulista, fhc-zista, etc..

Íntegra do texto:

Quando se cita o mote, os mais jovens – e nem estes tão jovens assim – lembram-se de Paulo Maluf.

Mas até isso Maluf pegou, digamos, de maneira indevida. O verdadeiro dono do “rouba mas faz” é Ademar de Barros, político dos anos 40 a 60, prefeito e governador de São Paulo, senador, candidato a presidente.


Ele mesmo espalhava as piadas a seu respeito. Nos comícios, dizia: neste bolso nunca entrou dinheiro roubado; e a platéia, divertida: calça nova, governador. Ele ria.


Também lançou o que poderia ser o lema da atual velha política: amigo meu não fica na estrada. Era verdade. Ademar no governo, não tinha um ademarista que ficasse sem cargo público.


O folclore ficou para Ademar de Barros, mas o fato é que a coisa se espalhava por todo o espectro político. O consenso tácito era o seguinte: todo mundo levava o seu, o importante é que abrisse estradas (ou construísse Brasília), oferecesse bons negócios públicos para os correligionários e nomeasse a turma.


O capitalismo de amigos sempre esteve na raiz da política brasileira. Até que foram apanhados o mensalão e o petrolão – mas que, visto de hoje, parecem mesmo dois pontos fora da curva.Todo mundo está sendo perdoado nas instâncias judiciárias e políticas.


O STF vem cancelando condenações e devolvendo ao  cenário político personagens que curtiram cana em anos recentes.


Na política, não há melhor exemplo  de anistia plena, geral e irrestrita do que o encontro entre Fernando Henrique Cardoso e Lula.



Lula saiu de lá com o voto de FHC e o passado limpo. Não precisou pedir desculpas pelos eternos ataques ao tucano (herança maldita, entreguista, neoliberal), pelos seguidos pedidos de impeachment que o PT entrava contra o governo FHC, muito menos pelo mensalão e pelo petrolão.


Em resumo, Lula levou tudo e não entregou nada.

Digamos que FHC tenha feito algumas ressalvas em privado. Mas isso não conta em política. Na sua única manifestação pública, Lula disse que se fossse FHC contra Bolsonaro, ele votaria no tucano.


Estão de gozação.


FHC disse que ainda continua preferindo uma terceira via, mas tornou-a ainda mais difícil – se não a enterrou – ao anistiar Lula sem levar nada em troca.


Reparem no cenário político – ex-presidiários voltando ao comando, o Centrão nomeando e gastando, Bolsonaro ameaçando golpes e vendendo pedaços do orçamento, os correligionários ocupando os cargos, a Lava Jato destruída, os negócios de amigos só não voltam com tudo porque a economia ainda patina. Mas já se nota a ocupação de estatais e fundos de pensão pela turma do governo.


Eis o quadro: amigo meu não fica na estrada; ganhar 200 mil por mês do governo não tem nada demais; para os amigos, tudo, para os adversários, o rigor da lei. (Dizem que esta última era do Getúlio!) E Bolsonaro quer colocar os militares na roda.


Boa parte do mundo desenvolvido está saindo da pandemia e voltando a crescer. Há riscos pela frente, como a temida volta da inflação elevada, provocada pelo excesso de dinheiro que os governos gastaram e continuam gastando. Sim, era preciso apoiar pessoas e empresas na pandemia, mas como já dizem alguns economistas, talvez tenham colocado água de mais na bacia.


De todo modo, por aqui, estamos longe de superar a pandemia. O nível de investimenbto público e privado está em torno de 15% do PIB, insuficiente para sustentar crescimento. A reforma tributária foi cortada em fatias tão finas que nem se as vê. É possível que o sistema piore com vários impostos e contribuições sobre as mesmas mercadorias e serviços.


Neste momento, a recuperação dos desenvolvidos está nos ajudando, via comodities e juros zerados pelo mundo afora. Mas se lá subirem inflação e juros, teremos outra conta a pagar – em um mau momento.


Capaz de piorar. Ficar no rouba e nem faz.


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(*) https://sardenberg.com.br/rouba-mas-faz-de-novo/

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Loucura ou crime?

No dia 16 de maio de 2021 o jornal o Estado de S.Paulo (Estadão) em sua coluna de Opinião, sob o título "Loucura ou crime?" (*), reportou duas iniciativas, respectivamente, das comunidades jurídica e médica, defendendo o afastamento do presidente Jair Bolsonaro. Na primeira, juristas e acadêmicos entraram com Ação Civil no STF pedindo a sua Interdição; na segunda, os profissionais de saúde defendem o seu impedimento.

A iniciativa dos juristas, que está destinada a fazer história, constitui um documento acadêmico sobre os pressupostos conceituais e jurídicos que justificam a Interdição.

Abaixo, a íntegra do artigo de Opinião do Estadão:

Juristas e médicos apontam incapacidade mental de Bolsonaro para governar

Um grupo de sete juristas e acadêmicos protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Civil (**} solicitando o “reconhecimento da incapacidade civil de (Jair Bolsonaro para) exercer o cargo e as funções atinentes à Presidência da República, com seu consequente afastamento”. 

Os autores esclarecem que não se trata de julgamento por crime de responsabilidade ou crime comum, para os quais seria necessária autorização parlamentar. Apontam ainda que não se trata de uma interdição pela incapacidade de gerir atos da vida civil, mas especificamente da “interdição de um supremo mandatário que não tem os requisitos cognitivos mínimos” para exercer a Presidência.

Na expectativa de que a Corte determine a produção de prova pericial, os autores levantaram exaustivamente ponderações de profissionais da área da psicologia, da psicanálise e da psiquiatria. As bases para o pedido já haviam sido lançadas pelo jurista Miguel Reale Jr., no artigo Pandemônio, publicado no Estado. 

Reale cataloga diversos indícios de transtorno de personalidade. Ainda em 1999, Bolsonaro dizia, em entrevista, que se fosse presidente fecharia o Congresso “sem a menor dúvida – daria o golpe no mesmo dia”. Na mesma entrevista, defendeu a tortura, e disse que o Brasil “só vai mudar quando partirmos para uma guerra civil (...) matando uns 30 mil (...). Vão morrer alguns inocentes. Tudo bem”. Já presidente, Bolsonaro, além de promover manifestações golpistas, deu inúmeras mostras de megalomania – “eu sou a Constituição”, “tenho a caneta”, “quem manda sou eu”, “o meu Exército”. 

Segundo a Classificação Internacional de Doenças da OMS, o transtorno de personalidade antissocial é caracterizado pela “indiferença insensível face aos sentimentos alheios; uma atitude flagrante e persistente de irresponsabilidade e desrespeito a regras; a baixa tolerância à frustração; a incapacidade para experimentar culpa; e a propensão a culpar os outros”. A falta de empatia de Bolsonaro ante centenas de milhares de mortos está gravada na História da Infâmia nacional: “e daí?” “não sou coveiro”, “chega de frescura”, “vai ficar chorando até quando?”. 

Reale sugere ainda o transtorno de personalidade paranoide, caracterizado por “um combativo e obstinado senso de direitos pessoais; tendência a experimentar autovalorização excessiva e preocupação com explicações conspiratórias”. Além de enxergar por toda a parte conspirações da sua nêmesis (“os comunistas”), Bolsonaro já rompeu com seu partido e confronta dia sim e outro também os governadores, a imprensa, o Congresso e o STF. Ele já ameaçou responder com “pólvora” a uma suposta invasão da Amazônia pelos EUA e sugeriu que a China está movendo uma “guerra química” (sic) contra o mundo. 

Segundo outro cânone do diagnóstico psiquiátrico, o DSM-5, da Associação Psiquiátrica Americana, o transtorno paranoide é “caracterizado por desconfiança e suspeita tamanhas que as motivações dos outros são interpretadas como malévolas”; o transtorno narcisista se manifesta pelo “sentimento de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia”; e o transtorno antissocial apresenta um padrão de “desrespeito e violação dos direitos dos outros”. 

Em Carta Aberta, 600 médicos formados na Escola Paulista de Medicina (***) elencaram os atos e omissões mortíferos de Bolsonaro na pandemia, entre eles o estímulo a tratamentos comprovadamente ineficazes; a negligência na crise de oxigênio em Manaus; a sabotagem das medidas de isolamento social; ou o descaso no planejamento da imunização. A Carta conclui com um pedido de impeachment por crimes de responsabilidade e contra a saúde pública. 

Qualquer que seja o desfecho da ação protocolada no STF, o fato de que juristas se unem para apontar um caso de incapacidade mental e médicos para pedir o impedimento político sugere que é cada vez menos verossímil uma terceira hipótese para explicar a conduta desastrosa de Bolsonaro que contribuiu para as centenas de milhares de mortes no Brasil. A leitura dos dois documentos indica que ou foi loucura ou foi crime.

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(*) https://opiniao.estadao.com.br/noticias/notas-e-informacoes,loucura-ou-crime,70003716210?utm_source=estadao:app&utm_medium=noticia:compartilhamento

(**) https://static.poder360.com.br/2021/05/Peticao_Inicial_Acao_Civil_Originaria-grupo-advogados-juristas-13-mai.pdf?utm_source=estadao%3Aapp&utm_medium=tela-inicial%3Ahome

(***) https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/wp-content/uploads/sites/41/2021/01/cartaabertaegressosepmunifespbasta1_200120211107.pdf

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Os dilemas da decisão de votar e a defesa da democracia

Se a trágica polarização lulopetismo x bolsonarismo continuar no 2º turno da próxima eleição presidencial, exercerei, provavelmente, e novamente, o direito de votar nulo. Acho necessário abrir essa discussão, até para combater a falácia de que foram os votos nulos e brancos que levaram Haddad à derrota.


Embora votar nulo ou em branco seja uma difícil decisão pessoal, o que fiz pela primeira vez em 2018, ela demarcou, em primeiro lugar, o meu convencimento de que nenhum dos candidatos significaria uma boa solução para o Brasil; o governo catastrófico do capitão cloroquina está a demonstra-lo. A segunda razão, é que as pesquisas, às vésperas da eleição, já demonstravam que os votos nulos ou brancos não teriam o poder de inverter o resultado mais provável. Optei por seguir minha consciência.

Esta decisão ocorreu em um contexto totalmente diferente de quando enfrentávamos a ditadura, quando não tínhamos eleições presidenciais. Neste período, combati todas as propostas de algumas organizações esquerdistas em favor do voto nulo. Na verdade, elas eram posições de boicote às eleições. E, também, combati a posição do PT de não comparecer ao Colégio Eleitoral para eleger Tancredo em 1985 pela via indireta.

Para amargor dos que defendiam a ditadura, fomos vitoriosos, e esta, naquele momento, foi a única alternativa dos democratas para promover a alternância do poder, o que demarcou o fim da ditadura e culminou com a promulgação da Constituição de 1988.

Estamos agora em outro momento. Em que pese a nostalgia totalitária do bolsonarismo, e as ameaças que estão promovendo e trazendo à democracia, caminhamos para mais uma eleição democrática. E, neste contexto histórico, a forma mais concreta de minimizar estes riscos significa encontrar uma alternativa democrática à essa trágica polarização.

Aos críticos dessa posição de milhões de brasileiros de votar nulo ou branco, lembro que, em 2018, Haddad não precisou desses votos para perder; os dados divulgados pelo TSE sobre os resultados da votação demonstraram isso claramente (*).

Da mesma forma, as análises mais respeitáveis indicam que quem enfrentar o capitão cloroquina em 2022, se ele for ao 2º turno, será o próximo presidente da república; por isso, se a trágica polarização se repetir, Lula não precisará do meu voto e do de milhões de outros democratas críticos ao lulopetismo para ganhar.

O Brasil precisa superar essa trágica polarização; portanto, somo-me aos que estarāo, até o instante da votação no 1º turno da eleição presidencial de 2022, empenhados na eleição de um candidato do campo democrático capaz de romper com essa polarização. E, nós, os que defendemos essa posição, estamos trabalhando para que este candidato vá para o 2º turno; e, se isso ocorrer, derrotará qualquer concorrente, não importa quem seja. Nossa tarefa, portanto, é levar esse candidato ao 2º turno, quando será vitorioso.

Mas isso será uma construção, a que devemos nos dedicar com desprendimento e urgência, pois este resultado ainda não está dado.

O objetivo de cada democrata não é o de votar, a qualquer custo, no candidato que poderá ser vitorioso. Não estamos participando de um jogo em que o objetivo é apenas ganhar. Não estamos em busca, fisiologicamente, das benesses do poder, pois continuaremos a viver do nosso trabalho. O que está em jogo é o nosso futuro, sempre adiado, o de um país mais próspero, democrático e justo.

Portanto, a primeira coisa a fazer, se a democracia está sob ataque, é unir o campo das forças democráticas, diga-se, de esquerda, de centro e de direita, sem discriminações ou hegemonismos, para romper com a trágica polarização, derrota-la, e manda-la para o lixo da história.

Da democracia que já conquistamos, cheia de defeitos, queremos eleva-la a um patamar mais alto, pois o nosso valor de hierarquia mais alta é a própria democracia.

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