sábado, 13 de março de 2021

Antilavajatismo: a aliança conservadora e reacionária para manter o país no atraso

O manifesto, ou carta aberta (*), de politicos, artistas e intelectuais, endereçada ao STF, pedindo que o tribunal julgue e aprove a suspeição do ex-juiz Sergio Moro expressa um posicionamento claro dos seus subscritores, personalidades conhecidas e respeitáveis.

Mas esse manifesto marca, com nitidez, pelo seu significado político, um divisor de águas na definição da candidatura do campo democrático que fará frente à nefasta polarização bolsonarismo x lulopetismo. Ambos os lados desta polarização estão no campo do antilavajatismo.


Em que pese não conste na carta a assinatura do capitão cloroquina, ele poderia subscrevê-la, pois ninguém - que professe equivocadamente a religião do antilavajatismo -, poderá negar a ele o feito de ter tomado as ações mais efetivas para liquidar com a Lava-Jato.

Entretanto, a luta contra a corrupção e para acabar com a impunidade tem um caráter democrático e estratégico. Ela corresponde a uma necessidade histórica pois, tendo a corrupção contaminado todo o sistema político, tornou-se incompatível com a democracia e com uma justiça em que não hajam brasileiros acima da lei; sobretudo, coloca-se como barreira para a erradicação da pobreza e bloqueia a mobilização das forças produtivas para o desenvolvimento econômico.

O antilavajatismo, unindo políticos tão díspares quanto Bolsonaro e Lula, expressa, contraditoriamente, uma aliança trágica entre contrários para manter o país no atraso. Ele converteu-se em uma força política e social; uma “santa aliança” estranha, unindo, suprapartidariamente, em um amplo espectro, da esquerda à direita, políticos atingidos pela Lava-Jato, juristas especializados em defender acusados de corrupção, militantes dos partidos atingidos e juízes, inclusive do STF, que nitidamente adotaram a narrativa de que a Lava-Jato teria cometido ilegalidades.

Portanto, o antilavajatismo já tem os seus candidatos naturais a presidente da república: o capitão, por mérito, dado aos seus feitos para líquidar com a Lava-Jato; e Lula, que se apresenta como a vítima injustiçada dela, com a sua narrativa de processos politicamente forjados.

Não há hipótese de se viabilizar uma candidatura do campo democrático, para chegar ao 2º turno, e que se oponha à essa nefasta polarização, se se quiser fazê-lo com o mesmo discurso do antilavajatismo e, sordidamente, o de transformar Moro em réu. O candidato que o fizer não chegará lá, repito, porque estará se colocando contra a necessidade histórica e contra a sociedade, e porque este campo já tem os seus líderes naturais.

Não temos mais o direito de errar perante a história!

Dou um exemplo: Ciro, ou Dino, ou Maia, ao assinarem o manifesto mostraram ter abandonado o projeto de uma candidatura do campo democrático, e demonstram não compreender a necessidade histórica de quebrar a trágica polarização. É mais provável que, ao assinarem o manifesto, tenham colocado os seus nomes na disputa para ser o Vice de Lula.

É este o projeto que defendemos para o Brasil?

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(*) Carta ao STF pedindo que seja aprovada a suspeição de Moro


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